Contacto voluntária: Rita Himmel – rlhimmel@gmail.com
Blog SVE da voluntária: http://antepexpress.wordpress.com/
Associação de Acolhimento: Gaziantep E?itim ve Gençlik Derne?i – http://www.gantepgenclik.net/
Local: Gaziantep, Turquia
Período SVE: 15 de Fevereiro a 16 de Abril 2011, 2 meses

Relato da Rita:
Pediram-me para fazer este texto, que tenho adiado sucessivamente porque não tive ainda
oportunidade de me sentar e assimilar todas as experiências vividas durante os dois meses de Serviço
Voluntário Europeu em Gaziantep, na Turquia, e talvez porque não queira aceitar que já acabou
definitivamente.
Aliás, fiz o mesmo com o texto de encerramento do blog (antepexpress.wordpress.com) que mantive
enquanto vivi na Turquia, porque sinto que fui mesmo habitante e não apenas visitante, e ainda
não concluí porque é preciso mais do que quase dobrar o tempo para me aperceber da dimensão e
profundidade das vivências tão intensas e significativas num período de tempo tão curto.
Por isso, vou limitar-me a relatar os aspectos mais gerais e superficiais do meu SVE, que é
provavelmente o que mais interessará a quem procura este tipo de exposição.
Estive dois meses em Gaziantep, a sexta maior cidade da Turquia, no sudeste da Anatolia, perto da
fronteira com a Síria e uma espécie de porta de entrada para o Médio Oriente com raízes históricas
milenares.
Fui acolhida por uma associação que, em si mesma, funciona como uma espécie de espaço de encontro
para os jovens da cidade, que a utilizam para aceder à Internet, por exemplo, para aprender línguas, em
cursos muitas vezes dirigidos por voluntários SVE, ou outro tipo de actividades pontuais.
Para nós, os cerca de 15 voluntários internacionais, a associação funcionava como intermediária
relativamente a outras associações nas quais desenvolvíamos as chamadas “actividades principais”.
A actividade que realizávamos com mais regularidade (quase todas as manhãs) era o curso de mosaicos
para invisuais no centro Akinal. Auxiliávamos os três participantes a criar reproduções de famosos
mosaicos ao som de música tradicional turca quando tínhamos sorte, ou pop quando tínhamos azar.
No centro de acolhimento para crianças e jovens em risco, Münir Onat, localizado uma rua acima da
nossa associação, encontrávamo-nos duas vezes por semana, com os rapazes, que tinham entre 10
e 18/20 anos, sem um guião definido. Começámos por passar o tempo a tocar guitarra, conversar,
ver televisão, fazer biscoitos e bolos etc. Mas decidimos começar a dinamizar noites temáticas, com
jogos de equipa, noite de discoteca, arts & crafts entre outras. Três dos rapazes até vão participar num
projecto de SVE na Holanda este Verão.
Depois havia as visitas quinzenais ao Hospital Oncológico, onde realizávamos projectos simples de
trabalhos manuais com as crianças ali internadas ou que lá se dirigiam para alguma fase do tratamento.
Podíamos ter 3 ou 10 crianças com quem brincar, ou, por vezes, chegava a não aparecer nenhuma, e
tínhamos que adaptar os projectos às suas condições de saúde e idades. Mas era talvez a actividade
mais gratificante de todas, principalmente quando percebíamos que conseguíamos envolver todas elas
nas actividades e que elas se divertiam.

Depois havia actividades complementares. O curso de turco, de culinária (que consistia em ajudar as
muito simpáticas e prestáveis Fatma e Katrie que cozinhavam 6 dias por semana para os voluntários),
de danças tradicionais (que era muito divertido quando realmente se realizava), ou de percussão.
Algumas actividades eram, na minha opinião, dispensáveis (como a criação de posters) e, muitas vezes,
os horários não eram cumpridos e havia alterações e cancelamentos à última da hora. Mas, em geral, e
depois de ouvir relatos de experiências noutros locais, acho que tínhamos um programa bastante bem
organizado e completo.
Desde que fomos embora, soube que iniciaram novas actividades numa escola local, de que os
voluntários estão a gostar imenso.
Quando à vida quotidiana fora do voluntariado, os voluntários estavam distribuídos por três
apartamentos amplos e bem equipados. Dois deles eram a cinco minutos a pé da associação, o nosso
era a quinze minutos.
O único problema que tivemos com o alojamento foi o facto de o nosso prédio ser habitado por famílias
tradicionalistas que não permitiam que fôssemos visitadas por rapazes, o que acabou por causar uma
acesa discussão com uma das nossas companheiras de casa (que tinha o azar de ser turco-alemã e
por isso sempre utilizada como interlocutora) quando esta foi acompanhada por dois membros da
associação que a ajudavam a levar as compras semanais para o apartamento.
Comíamos as refeições principais, confeccionadas pelas cozinheiras acima mencionadas, na
associação, sendo que o pequeno-almoço era tomado em casa com os alimentos que eram comprados
semanalmente pelo director da organização.
Os fins-de-semana eram aproveitados para visitar um pouco mais daquela zona histórica e naturalmente
riquíssima, ou, quando as viagens eram mais curtas, para dar um saltinho à “Meca” do relaxamento: o
hamam , ou banho turco.
Concluindo, recomendo vivamente a experiência de SVE e a Turquia como destino, principalmente o
sudeste. A comida é irritantemente deliciosa (tenho de admitir que engordei durante os dois meses lá),
as pessoas são arrebatadoramente simpáticas e hospitaleiras, há muita coisa bonita para ver, e é muito
interessante viver numa cultura tão distante e, muitas vezes, incompreendida, na qual encontramos
muitas mais semelhanças com a nossa casa do que esperamos.
