5°feira 03.01.12; 21:30h:
A Greve (Stachka)
Sergei Michailowitsch Eisenstein,
União Soviética 1925, 82 min,
mudo, legendado em inglês e russo
Em 1924, o jovem Serguei Eisenstein, então com 26 anos, dirigiu o filme que mudaria a estética e a linguagem do Cinema Soviético, A GREVE é uma visionária experimentação de manipulação de imagem, recriando brilhantemente a greve que ocorreu em 1912 na Tsarist Rússia, num conflito entre operários e policia. A acção do filme desenrola-se dentro de uma das maiores fábricas da Rússia czarista, quando os operários decidem entrar em greve e sofrem violenta repressão por parte da direcção da fábrica. O filme é todo desenvolvido em cima da ideia da montagem de atracções. O herói do filme é colectivo, e a acção é de massas, não individual, batendo de frente com toda a tradição psicologista tanto do cinema quanto do teatro, que era apontada como a expressão mais acabada da arte burguesa, onde o indivíduo se vê desligado da colectividade.
5°feira 10.01.13; 21:30h:
Kuhle Wampe or: who owns the world?
(Kuhle Wampe oder: Wem gehört die Welt?)
Slatan Dudow, Alemanha 1932, 74 min,
alemão, legendado em inglês

O filme retrata uma família da classe trabalhadora em Berlim no ano 1931, nos tempos em que a sobrevivência era difícil, com desemprego enorme no despertar da Grande Depressão. Depois o irmão de Anni suicida-se em desespero, a família dela vê-se forçada a mudar para Kuhle Wampe, um acampamento perto dum lago nos arredores de Berlim, agora casa para muitos desempregados. Quando a relação de Anni com Franz acaba, ela decide mudar-se para Berlim e envolve-se nos movimentos juvenis de trabalhadores.
5°feira 17.01.13; 21:30h:
O Pão Nosso de Cada Dia (Our Daily Bread)
King Vidor,
US 1934, 80 min, inglês

Filme da altura da Grande Depressão sobre trabalhadores desempregados em êxodo rural que criaram o seu colectivo agrícola – de facto uma comunidade socialista.
John e Mary são habitantes urbanos atingidos fortemente pelo punho financeiro da Depressão. Impulsionados pela sua bravura (e puro desespero ) fugiram para o campo e, com a ajuda de outros trabalhadores criaram a sua comunidade agrícola – uma mini-sociedade socialista com base nos ensinamentos de Edward Gallafent. A recém nascida comunidade sofre muitas dificuldades – seca, terríveis guaxinins e o longo braço da lei – mas por fim conseguem criar a sua utopia.
5°feira 24.01.13; 21:30h:
Felicidade (Schastye)
Aleksandr Medvedkin, União Soviética 1935, 95 min,
mudo, legendado em francês e inglês
“Schastye”, de Aleksandr Medvedkin, filme mudo que funciona como uma parábola cómica, composta tanto por semelhanças com Tex Avery como de Luis Buñuel. Satiriza a situação de um agricultor na antiga união soviética que se encontra a fornecer comida para o Estado, para a Igreja, e para os seus pares, em detrimento da sua satisfação pessoal. O infeliz Khmyr é encarregado pela sua esposa de sair para o mundo e encontrar a felicidade, para que não acabe morto e infeliz depois de uma vida inteira de labuta, como aconteceu com o seu pai. Através do exagero estilístico e um ataque sistemático às instituições pré e pós-Revolução Russa, o filme alcança uma ampla ferida e ataca as limitações impostas à liberdade pessoal na sociedade russa.
A sátira de Medvedkin deixa algumas metas para trás. Normalmente, a crítica vem através de situações visuais absurdas. Um czar provoca um trabalhador com fome com uma chave de grandes dimensões do seu armazém. Um batalhão de militares usam máscaras, roubando qualquer individualidade. Um cavalo entra em greve. Um padre pára a meio caminho num funeral para pedir aos enlutados o pagamento. Entre os camponeses, ganância e disputas internas são constantes, minando qualquer esperança do direito à solidariedade. Mesmo a morte é gozada neste filme.
“Felicidade” é o equivalente cinematográfico a uma caricatura política mordaz. A abordagem de Medvedkin exagera a inutilidade da luta do cidadão soviético. Através do uso de adereços gigantes, de caricaturas de figuras da autoridade, concebe uma série de imagens potentes que certamente teriam mais peso com o público soviético. A maior revolta em Felicidade é encenada como uma luta de comida. Esta obra é menos indigesta e mais escandalosa do que o resto do cinema mudo soviético, mas é o cinema político no seu melhor, e do mais divertido.
5°feira 31.01.13; 21:30h:
Ladrões de Bicicletas (Ladri di Biciclette)
Vittorio De Sica, Itália 1948 italiano, legendado em português
O filme se passa na Itália durante o período pós-guerra, sendo um dos exemplos do neo-realismo italiano. Foi um dos primeiros longas-metragens a vencer o Óscar de melhor filme estrangeiro, que na época ainda não era uma categoria própria.
O filme apresenta a situação de muitos italianos que, depois da guerra, estavam desempregados. Antonio Ricci (Lamberto Maggiorani) é um deles, até o dia em que consegue um emprego como colocador de cartazes. Entretanto, para conseguir o trabalho, precisava de uma bicicleta, o que o fez penhorar objectos de casa para conseguir adquirir uma. A trama se desenrola a partir do dia em que é sua bicicleta é roubada e, junto com seu filho Bruno (Enzo Staiola), ele a procura por toda Roma. O drama é capaz de transportar o espectador para a situação vivida por Ricci de maneira tão forte que os sofrimentos são reflectidos em quem assiste.
Um dos filmes mais premiados até então, com seu elenco formado actores não profissionais.


















